"Terra Amada" - Macovex ajuda com a doação de materiais de construção para reabilitação de casas em Covas do Monte (São Pedro do Sul)...

Cinquenta jovens arquitectos, dez dias e a promessa de renovação de uma terra perdida na Beira Alta. Já há quem não durma com a expectativa.

Irene Rodrigues tem mais de 70 anos (não sabe ao certo quantos são) e nunca experimentou o que é ter uma casa-de-banho, um quarto ou uma cozinha.

Toma banho dentro de um alguidar de plástico azul e as necessidades fá-las “lá longe no campo”.

A sua casa não é mais do que uma assoalhada ampla, protegida por paredes de pedra, que a impede de esconder aquilo que raramente tem vontade de mostrar. “Estou sozinha, se vivesse com outra pessoa não podia tirar a roupa nem nada. Lavo-me numa bacia dentro de casa. Ainda agora estive a cortar o meu cabelo, aqui não há cabeleireiros. Se tosquio as cabras, também posso tosquiar o cabelo.”

O chão da casa está coberto de sacos de plástico e embalagens vazias, trapos e restos de comida. Quase sem mobília, destacam-se, o fogão, a mesa onde come, um colchão, um velho rádio Grundig e um espelho redondo e baço, cheio de dedadas, que assenta em cima da cómoda. “É uma casa pobre e velha como a mim”, resume.

Irene foi uma das habitantes da aldeia de Covas do Monte que abriu as portas à Terra Amada, uma iniciativa do curso de arquitectura da Universidade Católica de Viseu que pretende melhorar as condições de vida das aldeias serranas do concelho de S. Pedro do Sul, bem como conservar e reabilitar o património histórico em risco. Em troca, vai receber uma casa completamente nova com cozinha, casa-de-banho, quarto, sala, mobiliário, electrodomésticos, portas e janelas. Nada ficará igual. “A senhora quando lá entrar nem vai reconhecer o local”, antecipa Ana Pinho, professora universitária e coordenadora do projecto

Depois da intervenção, a D. Irene vai viver pela primeira vez numa casa com cozinha e casa-de-banho. Foto: R.V.L

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